MAMOA DE LAMAS

A Mamoa de Lamas é um monumento megalítico, de tipo funerário, que remonta à época Pré- histórica. Em  Fevereiro  de  1993,  aquando  do desaterro  para  urbanização  de  uma  área  elevada, localizada na freguesia de Lamas, a curta distância da cidade de Braga, foi posta a descoberto a estrutura de um túmulo megalítico ainda protegido pelas terras da mamoa. Tais vestígios tornaram-se  evidentes  por  acção  da máquina  escavadora  que  procedia  á terraplanagem daquela  área.  Suspensos  os  trabalhos,  a  Junta  de  Freguesia  de  Lamas  e  o  Museu de Arqueologia  D.  Diogo  de  Sousa  alertaram  as  entidades  competentes  no  sentido  de  se efectuarem as necessárias tarefas de recuperação do monumento.  Assim, numa primeira fase, a escavação arqueológica foi efectuada por intermédio do IPPAR. Esta acção viria a ser, posteriormente, interrompida.

  

Finalmente,  nos  meses  de  Julho  e  Setembro  de  1997,  foi  realizada  uma  nova intervenção,  desta  vez  sob  a  responsabilidade científica  do Dr. Eduardo  Jorge Lopes da Silva, da Universidade Portucalense. Os trabalhos contaram com o apoio do IPA (Instituto Português de Arqueologia), Grupo de Investigação Arqueológica do Norte (GIAN), Instituto de Arqueologia da  Universidade  Portucalense,  Junta  de Freguesia  de  Lamas, Gabinete de Arqueologia  da  Câmara  Municipal  de  Braga  e  Museu  D.  Diogo  de  Sousa,  em cujos laboratórios foram tratadas várias peças, nomeadamente as cerâmicas pré-históricas. Participaram nos trabalhos da 2ª fase de escavação vários alunos da Universidade Portucalense  (Curso  de  História),  Licenciados e  Mestres  em  Arqueologia  pela Faculdade  de  Letras  do  Porto,  um  aluno do  curso  de  Arquitectura  (E.S.A.P.)  e técnicos do Gabinete de Arqueologia Municipal e do referido Museu. Dada a importância e a raridade deste tipo de monumentos nesta zona, a Mamoa de Lamas foi objecto de escavações arqueológicas que nos permitiram conhecer a sua arquitectura e posteriormente proceder à sua reconstituição. 
 
 
O Fenómeno Megalítico
 
O  Megalitismo  é  um  fenómeno  cultural  que  se  caracterizou  pela  utilização  de grandes  blocos  de  pedra,  com  os  quais  se construíram vários monumentos,  em épocas muito recuadas da história do Homem. Os monumentos megalíticos mais representados no nosso País e, particularmente, nesta região, são as Antas ou Dólmenes. A investigação arqueológica permite-nos dizer que estes monumentos sofreram uma evolução arquitectónica, a partir do 5º milénio antes de Cristo, até à Idade do Bronze (2º milénio/1° milénio a.C.) Quando  completos,  os Dólmenes  eram  constituídos  por  um  espaço funerário, designado  por  "câmara  dolménica",  formada  por  várias  lajes, fincadas verticalmente no solo, cobertas por uma outra, chamada "tampa" ou "chapéu":
 
 
Estas construções funerárias eram cobertas por um montículo de terra e pequenas pedras, que envolvia o túmulo megalítico, a que o povo passou a chamar "mamoas". Tal como a Mamoa de Lamas estes monumentos eram quase sempre construídos em locais elevados, destacando-se na paisagem. 
 
Quem eram os construtores de megálitos? 
 
As investigações arqueológicas até hoje realizadas nesta zona não nos permitiram identificar os povoados contemporâneos da Mamoa de Lamas. No entanto, o que sabemos  do  estudo  noutras  localidades  do  país,  permite-nos  afirmar  que  os construtores destes monumentos viviam em pequenas comunidades e se dedicavam à agricultura" à pastorícia e também à recolecção e à caça. 
 
 
O  que  nos  parece  de  salientar  é  o  facto  de  serem  capazes  de  empreender  tarefas colectivas,  como a construção destes  grandes monumentos, o que implicava uma grande  coordenação  do  trabalho  e  a  solidariedade  de  todos  os  membros  da comunidade. 
 
 
 
A Arte Megalítica 
 
À semelhança do que acontece em monumentos deste tipo, na nossa região, as lajes que constituíam a câmara dolménica da Mamoa de Lamas apresentavam vestígios de pinturas, de cor branca, com motivos esquemáticos. 
 
 
Estas representações que para nós hoje são algo enigmáticas, tinham um significado simbólico para essas comunidades que celebravam nestes monumentos cerimónias mágico-religiosas. 
 
O espólio aqui encontrado 
 
Estes  monumentos  serviram  normalmente  de  túmulos  colectivos,  muito  embora fossem  mais  do  que  um  simples  sepulcro.  Eram  locais sagrados, de  culto  e  de encontro de todos os membros da comunidade. Esse simbolismo também se manifesta nos objectos que eram depositados junto dos mortos -pontas  de  seta,  machados  de  pedra  polida,  lâminas  de  sílex,  vasos cerâmicos  -  ou  seja,  instrumentos associados  às  actividades  que  lhes permitiam extrair da natureza os bens que necessitavam para a sua sobrevivência. O espólio recolhido é de grande interesse, caracterizando-se pela sua abundância, qualidade e raridade, com destaque para os materiais líticos, onde predominaram as pontas de seta e alguns micrólitos, está depositado no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa em Braga. 
 
 
 
A reconstituição do monumento 
 
 
Ao reconstituirmos o monumento megalítico de Lamas tivemos rigorosamente em conta as indicações dadas pela investigação arqueológica, relativamente às técnicas arquitectónicas  seguidas  na  construção  deste  monumento.  Por  razões  que  se prendem  com  a  preservação dos  esteios  pintados,  os mesmos  foram  retirados  e devidamente tratados, para que não se percam os vestígios da pintura. Todos os blocos graníticos foram limpos, desinfestados (dos musgos  e líquenes), consolidados e protegidos de forma a melhor resistirem à erosão provocada pelos agentes naturais. O projecto beneficiou de fundos comunitários de apoio, através da sua integração no Sub-Programa C do PRONORTE, tendo sido aprovado pela Unidade de Gestão em 02.12.1998 
 
•  Investimento Elegível:   10.170.000$00  
•  Comparticipação FEDER    5.085.000$00 (50%) 
 
 
 
Localização 
 
A cerca de 6,5 Km da cidade de Braga, pela Estrada Nacional nº 309 (Braga - Famalicão, pela Veiga de Penso) 
Rua da Mamoa – Junto ao Edifício da Sede da Junta 
LAMAS - BRAGA 
 
 
 
Texto: Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa 
Desenho de Postais: Curso de Registo e Desenho Arqueológico - Câmara Municipal de Vila do Conde/IEFP 
Desenho da Pintura: Filipe Antunes – Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa 
Desenho a lápis: Edgar Duarte 2012 
Fotografia: Fundo Documental do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa
 
 

Este monumento tem cerca de 5.000 anos

 
 

Por favor, ajude-nos a preservar a sua existência!

 

 

 

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